
Junho
2010
Guitar Player Com. Br
Johnny Winter
por Heverton Nascimento
(continuação)
O clima,
a essa altura, estava propício para a entrada da lenda texana.
Jonnhy Winter fez exatamente o que prometeu em entrevista publicada
na edição de abril/2010 de Guitar Player: "Estou
ansioso para chegar ao Brasil. Nunca estive aí e mal posso esperar
para tocar. Vai ser bem legal. Tudo o que quero é ver a felicidade
dos fãs". E, para deixar o público feliz, ele tocou
seus clássicos colecionados ao longo de 40 anos de carreira.
Empunhando
seu modelo signature da Lazer, Winter sapecou vários blues, um
atrás do outro, cantando e solando. Foi incrível notar
que, mesmo com problemas de saúde, quando ele começa a
tocar é como se suas mãos ainda estivessem em algum lugar
do passado, ágeis e espertas, brincando com escalas e licks.
Jonnhy gosta de "oitavar" as frases - ao longo do show, foi
possível perceber que usa várias intenções
na região da primeira casa e, depois, se repete na região
da casa 12.
Jonnhy
tem 66 anos, mas os longos anos como usuário de heroína
cobraram um alto preço do bluesman albino. Ele mostrou muita
dificuldade para caminhar e chegar ao centro do palco. Com a guitarra
no colo, porém, a história é outra. Good Morning
Little School Girl, Mojo Boogie, Highway 61 Revisited, Bony Moronic
e um cover de Red House (Jimi Hendrix) fluíram como mágica
de seus longos e magros dedos.
O show
soou como a própria história do rock and roll, começando
com blues de raiz, do qual Winter domina a técnica como poucos,
e chegando até os rocks com os quais ele balançou toda
uma geração, na década de 1970.
Ele conversou
algumas vezes com o público, mas poucos compreenderam seu sotaque
texano. Não importa. Com a guitarra no colo, ele soube se comunicar
perfeitamente. Como sempre. Bastou reparar nos olhares da plateia ao
final de uma hora e meia de concerto para ter certeza disso!