SINGLES X ÁLBUNS
 
Por Tati Lima
 

O álbum

Recentemente escrevi um pouco sobre o formato álbum para meu projeto.
De fato, algumas características que fazem de uma reunião de canções um álbum conceitual não estão presentes na maioria dos lançamentos de música mainstream que apresentados com esse nome.
A trajetória do álbum tem como marco 1948, quando a Columbia Records lançou no mercado o disco de vinil de 12 polegadas e 33 1/3 rotações por minuto. O suporte com capacidade para armazenamento de 20 minutos de áudio em cada lado, denominado long play (LP), facilitou a edição de obras conceituais.Com o LP, a composição de canções com duração média de três minutos e meio deixou de ser uma limitação de ordem tecnológica relacionada ao tamanho dos primeiros suportes de reprodução.

Era possível prolongar as faixas. Apesar disso, a maioria das canções manteve (e mantém) a duração média instituída anteriormente, por razões advindas do âmbito da circulação: as faixas com cerca de três a quatro minutos são mais adequadas à inclusão nas grades de programação de rádios convencionais, para a produção de videoclipes e para a inclusão em trilhas sonoras de outros produtos audiovisuais como telenovelas, tele-séries etc.

O que mudou sensivelmente com o LP foi o fato de que, neste suporte, era possível (mas não obrigatório) estabelecer uma unidade conceitual entre a apresentação gráfica da capa, contracapa e encarte, compondo um álbum.

O ordenamento das faixas, a cor e selo do suporte, a presença das letras das canções no encarte, o uso de fotos, os temas dessas fotos, a forma como os músicos se apresentam, quando aparecem nas imagens (abrangendo gestual, figurino, cenário etc.) e as demais intervenções gráficas que compõem os álbuns são indexadores da fruição musical, assim como a relação entre a sonoridade das bandas e o leque de gêneros que são agenciados por elas.

Multimidialidade

Outro dia, num congresso, um participante exaltou o velho bolachão de vinil como o único portador dessa capacidade de agregar sentidos gráficos e sonoros, por conta de suas dimensões. Discordo. O CD também proporciona a exploração desses sentidos, assim como algumas plataformas digitais (MySpace, sites oficiais, blogs - quando disponibilizam áudios e conteúdos multimídia).A questão é que um álbum implica um conceito ou conceitos que perpassem a produção visual e musical, como no emblemático Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967), cuja capa ilustra essa postagem.Álbuns conceituais, na minha opinião, continuarão despertando interesse. Já dos álbuns do tipo reunião de canções é melhor mesmo tirar o filé...

[MPM DIGITAL MÚSICA POPULAR MIDÁTICA & PLATAFORMAS DIGITAIS - TATI LIMA]

02 de 02 [FIM DO ARTIGO]
Fonte: http://mpmdigital.blogspot.com/2009/12/sobre-o-consumo-de-singles.html
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